PROJETOS EM COLABORAÇÃO

Conheça os projetos que estão em andamento

A compreensão dos ritmos fisiológicos e comportamentais dos insetos vetores é fundamental por estarem diretamente correlacionados com a capacidade de transmissão de patógenos ao homem.  Esses ritmos são denominados de circadianos (do latim circa = cerca, diem = dia) por apresentarem uma periodicidade próxima a 24h, sendo regulados por vias endógenas e sincronizados de acordo com estímulos ambientais como a luz/escuridão e temperatura. Nos mosquitos os padrões rítmicos podem ser observados através da atividade locomotora, que corresponde a diversos comportamentos fisiológicos tais como a busca por alimento, acasalamento, oviposição e repouso. Partindo desse pressuposto, busca-se com esse projeto caracterizar o efeito de diferentes condições fisiológicas (inseminação, ingurgitamento e infecção por Plasmodium vivax) na atividade locomotora do principal vetor da malária humana da Amazônia An. darlingi.

Orientador: Jansen Fernandes Medeiros

Coorientadora: Maisa da Silva Araújo

Aluna de mestrado: Alessandra da Silva Bastos

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0); Bolsa CAPES.

O termo microbiota define a comunidade microbiana que vive em contato comensal com organismos vertebrados e invertebrados. A microbiota tem um importante papel nas interações que ocorrem entre o Plasmodium e o mosquito anofelino, pois atua como mediadora da resposta imunológica do mosquito contra o estabelecimento do Plasmodium. Essa relação tem sido bastante investigada entre Plasmodium falciparum e anofelinos do Velho Mundo. Porém, o conhecimento a respeito da microbiota presente em vetores da malária das regiões Neotropicais e, principalmente a relação que ocorre durante a infecção do mosquito pelo Plasmodium vivax ainda é escassa na literatura científica. Assim sendo, neste projeto estamos caracterizando a microbiota do An. darlingi colonizado e coletado de campo; e estamos estudando a composição e importância desta microbiota durante a infecção de An. darlingi pelo P. vivax. Os resultados deste estudo já estão fornecendo conhecimentos de base para os protocolos de infecção dos nossos mosquitos colonizados na PIVEM.

Orientador: Jansen Ferdandes Medeiros

Coorientadora: Maisa da Silva Araújo

Aluna de doutorado: Najara Akira Costa dos Santos

Colaboradores: Universidade Estadual Paulista – UNESP 

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0); Bolsa CAPES.

O desenvolvimento do Plasmodium vivax, principal agente causador da malária humana na Amazônia brasileira, ocorre em parte no intestino de mosquitos anofelinos fêmeas.  Isso acontece após as fêmeas se alimentarem de sangue infectado com o parasito P. vivax. Os parasitos passam por sucessivas transformações. Além disso, bactérias residentes (microbiota) no intestino do mosquito tendem a aumentar devido ao meio nutritivo que o sangue proporciona a elas.

Estudos mostram que a microbiota intestinal em anofelinos atua como mediadora da resposta imunológica contra o estabelecimento do Plasmodium. Interações parasito-microbiota-mosquito têm sido bem estudadas em anofelinos do Velho Mundo e o Plasmodium falciparum. Entretanto, pouco se sabe sobre interações entre o P. vivax e anofelinos Neotropicais. Dessa forma, estudamos a importância das bactérias intestinais na sobrevida dos mosquitos An. deaneorum e An. darlingi não infectados e infectados experimentalmente por P. vivax; e ainda, avaliando sua importância para o desenvolvimento do parasito nos mosquitos.

Coordenadora: Maisa da Silva Araújo

Responsável Técnica: Najara Akira Costa dos Santos

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0); Fiocruz Rondônia.

A alimentação açucarada é essencial para a manutenção das atividades fisiológicas, comportamentais e sobrevivência dos mosquitos. Na natureza, mosquitos fêmeas e machos se alimentam de hidratos de carbono encontrados no néctar das plantas ou de frutos. Quando criados em colônias em laboratório, os mosquitos são alimentados artificialmente com algodões embebidos em solução açucarada. Dada a importância dessa dieta na sobrevivência dos mosquitos, experimentos estão sendo conduzidos com soluções a base de mel e de açúcar comercial para avaliar qual dieta poderá garantir uma maior taxa de sobrevivência entre mosquitos machos e fêmeas das espécies An. deaneorum e An. darlingi colonizados em nosso laboratório.

Coordenadora: Maisa da Silva Araújo

Responsável Técnica: Najara Akira Costa dos Santos

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0); Fiocruz Rondônia.

Colônias de mosquitos estão sendo implantadas em várias partes do mundo, pois possibilitam estudos de vários aspectos sobre a biologia básica desse inseto. Para isso, é preciso que a colônia tenha uma estabilidade na produção de ovos, larvas, pupas e adultos. Portanto, é preciso ser definida a melhor fonte de repasto para a manutenção dos parâmetros biológicos do mosquito. São usados mosquitos da espécie Anopheles darlingi, que serão alimentados de forma direta – contenção física e anestésicos – e indireta – membrana Politetrafluoretileno. Durante o estudo, são feitas observações e análises do ciclo biológico do mosquito, tendo em vista que o melhor resultado é aquele que mantém regulares os parâmetros dessa espécie.

Coordenadora: Maisa da Silva Araújo

Responsável Técnico: José Daniel Costa Pontual

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0); Fiocruz Rondônia.

Mosquitos da espécie Anopheles darlingi possuem grande importância entomológica na transmissão de malária no Brasil, sobretudo por infecções causadas por Plasmodium vivax, plasmódio responsável por grande parte dos casos da doença. Para isso, um modelo experimental da interação entre ambos tem sido utilizado para acompanhar a sobrevivência de mosquitos após a infecção. Espera-se com isso esclarecer questões relacionadas ao tempo de vida de An. darlingi em diferentes fases do desenvolvimento do P. vivax em seu organismo. Portanto, conhecer o padrão de sobrevivência em condições de infecção experimental é importante para padronizar a produção de uma quantidade robusta de mosquitos infectados. Estes darão suporte a pesquisas científicas que poderão responder a questões diversas relacionadas a malária que necessitam de um modelo experimental vetor-hospedeiro satisfatório. 

Coordenadores: Jansen Fernandes Medeiros & Maisa da Silva Araújo

Responsável Técnica: Alice Oliveira Andrade

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0); Fiocruz Rondônia.

Dentre os métodos utilizados pelo Ministério da Saúde (MS), a fim de bloquear a transmissão dos plasmódios em mosquitos, estão os fármacos conhecidos como gametocitocidas. Sabemos que os medicamentos são absorvidos e distribuídos rapidamente pelo organismo. No entanto, o tempo de ação dos mesmos contra as formas sexuadas (gametócitos) ainda não é bem elucidado. Dessa forma, o tempo de ação dos fármacos usados atualmente como bloqueadores de transmissão da malária pelo MS será avaliado. O estudo prevê um acompanhamento dos participantes antes e após o início do tratamento a partir de infecções experimentais com mosquitos vetores. A análise de bloqueio de transmissão será acompanhada a partir da taxa e da intensidade da infecção de oocistos e esporozoítos. Os resultados obtidos a partir desse projeto irão fornecer conhecimentos acerca do tempo de ação bloqueadora dos fármacos, sendo esse um passo importante para determinar em que fase (hora) do tratamento ocorre o bloqueio da transmissão do homem para o vetor.

Coordenadores: Jansen Fernandes Medeiros & Maisa da Silva Araújo

Responsável Técnica: Alice Oliveira Andrade

Colaboradores: Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (CEPEM)

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0)

Picadas de mosquitos Anopheles transmitem parasitas que causam malária. Esforços para prevenir e controlar a transmissão da malária têm sido realizados por muitos países e a distribuição de Mosquiteiros Impregnados de Longa Duração (MILD) tem auxiliado no combate dessa doença. No entanto, a resistência a inseticidas tem sido descrita em várias populações de Anopheles, o que dificulta a ação dessa ferramenta de controle vetorial. Portanto, descrição de novas ferramentas de controle vetorial ou adaptação de ferramentas atuais, como os MILD são necessárias. Deste modo, o projeto pretende avaliar novos compostos e fármacos que possam potencializar a ação dos MILD no Brasil. A incorporação desses novos compostos e fármacos, em um modelo de dinâmica de transmissão da malária, prevê que a impregnação de mosquiteiros com inibidores de Plasmodium mitigaria substancialmente os efeitos globais da resistência aos inseticidas.

Coordenadores: Jansen Fernandes Medeiros & Maisa da Silva Araújo

Responsável Técnica: Maisa da Silva Araújo

Colaboradores: Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (CEPEM); Harvard School of Public Health

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442653/2019-0)

Este estudo aponta a necessidade dos portadores assintomáticos para o Brasil como importância epidemiológica na região, pois esses portadores podem servir como reservatório da doença. O projeto consiste em infectar mosquitos colonizados e mantidos no Insetário da espécie Anopheles darlingi com sangue de portadores assintomáticos, que estão sendo monitorados como potencial reservatório da malária, e determinar a taxa de infecção nesses mosquitos, através da dissecção e detecção por método molecular de PCR. Considerando os esforços visando a eliminação da malária e a importância em investigar o papel deste potencial reservatório assintomático na transmissão da malária em áreas endêmicas de Rondônia.

Responsáveis: Equipe International Centers of Excellence for Malaria Research (ICEMR)

Colaboradores: Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (CEPEM), Instituto René Rachou – Fiocruz Minas, University of Massachusetts Medical School.

Financiamento: Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit/ Fundação Bill & Melinda Gates, nº 23/2019 – Pesquisas de prevenção, detecção e combate à Malária (processo nº 442570/2019-8); International Centers of Excellence for Malaria Research (ICEMR – NIH).

Devido a formação e reativação de formas dormentes residentes no fígado do hospedeiro, a malária vivax é caracterizada por recaídas periódicas de infecção que dificultam os esforços em controlar a doença. Estratégias de tratamento da malária vivax dependem da combinação de fármacos que atuem em ambos os estágios, exoeritrocítico (no fígado) e eritrocítico (no sangue). Atualmente, as únicas intervenções quimioterápicas capazes de eliminar as formas hipnozoítas são: a primaquina e a tafenoquina. Porém, ambos os fármacos são contraindicados às gestantes, crianças e pacientes com deficiência G6PD. Embora a busca por novos antimaláricos seja urgente, a obtenção de modelos in vitro das formas exoeritrocíticas de P. vivax é desafiadora, devido às dificuldades de sua cultura in vitro, e da obtenção das formas infectantes dos hepatócitos (esporozoítos). Portanto, com o recente estabelecimento da colônia de Anopheles darlgini com capacidade para produzir esporozoítos de P. vivax e a disponibilidade de isolados locais, somados ao desafio da saúde pública em se obter novos compostos contra as formas hepáticas do P. vivax, o projeto tem como objetivo o desenvolvimento de uma plataforma de infecção de hepatócitos para avaliação de novos compostos contra as formas exoeritrocíticas do P. vivax. Além da avaliação de novos compostos para futuro tratamento contra a malária vivax, a implementação desta plataforma de infecção de hepatócitos poderá ser utilizada na testagem de anticorpos candidatos a vacina contra P. vivax; em estudos de mecanismos de bloqueio de invasão de hepatócitos e descrição de resistência aos fármacos já utilizados pelo SUS no tratamento da malária vivax.

Coordenadora: Maisa da Silva Araújo

Colaboradores: Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (CEPEM); Organização Mundial Medicines for Malaria Venture (MMV); Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CibFar); Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado – FMT- HVD.

Financiamento: PPSUS/FAPERO;
Organização Mundial Medicines for Malaria Venture (MMV)